CULTURA

Do metal à opera toda a informação e as novidades culturais que te interessam estão aqui…

DESPORTO

Toda a informação sobre o desporto universitário e federado das várias modalidades…

ESTUDANTES

Tudo o que se passa no universo dos estudantes universitários…

iTEK

Tecnologia e gadegts, truques & dicas para te manteres actualizado…

UNIVERSIDADE

Se aconteceu na tua universidade está aqui…

Home » REPORTAGEM MULTIMÉDIA

AS LINHAS DA NOSSA VIDA

Por: Sara Lima em sexta-feira, 2 dezembro 2011Comenta!

A Linha do Tua e a Linha do Corgo são duas linhas ferroviárias centenárias que serviram as populações do interior de Portugal transportando pessoas e cargas.

As medidas politicas dos últimos 20 anos têm levado a sucessivos encerramentos de linhas de via estreita um pouco por todo o país. O caso da Linha do Tua é um dos mais controversos dado que o seu encerramento está ligado à construção de uma barragem, que terá o seu paredão na Foz do Tua. Em consequência, vários quilómetros da linha seriam submersos bem como muitos terrenos agrícolas e paisagem pertencente ao Alto Douro Vinhateiro, classificado como Património Mundial da Humanidade. Já na Linha do Corgo o risco é diferente dado que bastaria a sua requalificação para garantir o seu funcionamento.

Para defender os interesses destas duas linhas, das populações e do ambiente surgiu em 2006 o Movimento Cívico pela Linha do Tua (MCLT) fundado por Daniel Conde, assessor do Metro de Mirandela. Já em 2011, foi co-fundador do Movimento Cívico da Linha do Corgo (MCLC).

Daniel Conde explicou como nasceu o MCLT. Apesar das obras já terem arrancado o assessor deixou ainda uma palavra de esperança e voltou a frisar as perdas e danos para a região, a ser concretizado o projecto da barragem. O co-fundador do MCLC considera que, dadas as condições, será mais fácil a reabertura da linha de Vila Real do que a Linha do Tua. Refere ainda que as perdas para as populações seriam semelhantes e que ambas as cidades têm capacidade de dinamização e aproveitamento das vias.

O número de utilizadores da ferrovia diminuiu 43% nos últimos 20 anos, vários troços foram encerrados e o número de trabalhadores caiu 52%. A REFER, no entanto, continua com uma dívida astronómica. Será que os portugueses deixaram de gostar de andar de comboio passando, por isso, a não ser viável manter as linhas abertas?

Também ligado a estes movimentos está Pedro Couteiro, representante em Portugal da Coordenadora dos Afectados pelas Grandes Barragens e Transvases (COAGRET), diz-nos qual é o papel desta associação. Elucidou-nos ainda como a barragem vai afectar a região e afirmou que nenhumas das anteriormente construídas trouxeram ganhos efectivos. Pedro Couteiro referiu ainda que a populações irão ficar em condições mais desfavoráveis do que as actuais e que o futuro dos jovens ficará circunscrito. O responsável pela COAGRET em Portugal concorda que vivemos uma crise de valores em que o cultivar da terra deixou de ser prioritário.

Na Estação Rodoviária de Mirandela situada ao lado da antiga Estação Ferroviária encontramos Francisco Costa, de 71 anos, um popular que apesar de ter usufruído da Linha do Tua por mais de 40 anos, não se mostra totalmente desfavorável à barragem. Já Sónia Sousa, de 33 anos, conta-nos, sentada num banco de madeira enquanto espera pelo metro de superfície (que veio substituir a locomotiva), que utiliza a linha para se deslocar para o trabalho pois os horários de autocarro não servem as suas necessidades.

Em Vila Real, Sebastião Teixeira conversou connosco e disse-nos que o comboio é uma necessidade do neto que estuda na Régua. António Ferreira, outro vila-realense, mostrou a sua indignação sobre o fecho da Linha do Corgo e o levantamento dos carris entre vila Real e a Régua.

Apesar de todas as contradições e mesmo após a divulgação da Declaração de Impacte Ambiental que fez avançar a construção da barragem de Foz Tua, as tentativas para salvar a vias estreitas têm continuado. Em 2009, o jornalista e repórter de imagem, Jorge Pelicano lançou o documentário “Pare, Escute, Olhe” que nos faz reflectir acerca da construção de barragens e no potencial de Trás-os-Montes. Mais recentemente a COAGRET tem vindo a promover o evento “Por Vales Durienses Ameaçados” que se vai realizar entre os dias 1 e 4 de Dezembro.

A luta promete não arrefecer, com argumentos contra e a favor, continuando a ser um assunto controverso.

Popularity: 1% [?]

Deixa o teu comentário!

Podes seguir os comentários desta notícia via RSS.

Sê simpático. Mantém os comentários limpos e mantém-te no assunto.

Os comentários são da total responsabilidade dos seus autores. Os administradores do AKADEMIA reservam-se ao direito de apagar todos os comentário ofensivos.