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(DES)IGUALDADE SOCIAL – PARTE II

Por: João Simão em quinta-feira, 29 julho 20101 Comentário

Se o conceito das “Novas oportunidades” em si tem valor na prática o “chico-espertismo” desvirtuou a ideia e tornou-a em algo repugnante e desmotivador. Ao abrigo da ideia de igualdade social defende-se que a experiência profissional deve equivaler a áreas de saber para quem quer completar os estudos. Na prática independentemente da experiência o plano de estudos é igual para todos. Na verdade aquilo a que assistimos é a um grupo de pessoas em num ano completam o que deveriam ter feito em 3 anos, são pagas para estarem presentes nas aulas, e não têm qualquer motivação ou interesse em aprender algo.

Justiça, onde está? Se é justo dar novas oportunidades a quem não pode continuar a sua formação não é justo equiparar essa nova formação à de quem a fez de forma completa. Resumindo é justo 3 anos equivalerem a um? É justo a formação exigida a quem segue os estudos ser uma e depois dar equivalência a menos conteúdos e menos exigência? Será ainda justo pagar a formação quando quem seguiu os estudos teve de fazer um grande investimento na sua formação, seja esse investimento pessoal ou dos pais?

Se o objectivo desta iniciativa era o da tão apregoada “igualdade social” o resultado é o de uma clara desigualdade social descriminando quem investiu na sua educação. Este facilitismo é assustador se pensarmos no futuro e no que pode surgir daqui. Perguntas como: Para que estudar agora se daqui a uns anos faço o 12ª só num ano? Começam a surgir nos mais novos que preferem trabalhar mais cedo, desistir da escola e voltar mais tarde e serem pagos e terem uma formação simplificada. A equivalência de formação vai colocar ainda no mesmo patamar as pessoas independentemente da qualidade da formação que tenham obtido, isso ir-se-á reflectir no trabalho que executarem.

Em lugar de as novas oportunidades e os cursos de educação e formação de adultos (EFA) dar equivalência ao 12º ano e se o objectivo é o de valorizar a experiência profissional porque não habilitar os formandos com uma carta profissional? Mais adequado e mais justo. Todo o facilitismo na educação terá repercussões graves na educação, na formação e na capacidade intelectual das gerações futuras. E se o objectivo é dotar Portugal de bons valores ao nível da educação isso apenas se verifica no papel, na prática o efeito é o oposto e terá efeitos graves no futuro.

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1 Comentário »

  • Daniela Rodrigues comentou:

    Não poderia estar mais de acordo. Esta questão das Novas Oportunidades é para mim um assunto delicado, tudo porque a minha mãe completou o 12º ano nas Novas Oportunidades. No entanto, não recebeu nada, e não sei em que situações se aplica o pagamento aos alunos, e na escola onde estava a fazer esse programa eram bastante exigentes. Ajudei a minha mãe em diversos trabalhos. Por vezes até me ria pois até à bem pouco tempo era ela que me ajudava com os trabalhos de casa e não o contrário. Vi a minha mãe esforçar-se imenso mas no entanto sei que muitas pessoas nas Novas Oportunidades, noutras escolas, não o fizeram.

    A questão que mais me incomoda é mesmo o facto de pagarem aos alunos por estarem a aprender quando muitos deles só lá se encontram para conseguirem um trabalhito melhor enquanto ganham uns trocos.

    Não é de forma alguma uma via que o Estado devesse ter aberto pois como afirmou, ao tentar criar igualdade só criou desigualdade.

    É frustrante para os alunos que estiveram a estudar e a pagar pela sua educação saber que um aluno das novas oportunidades entrou no curso que os que estudaram três anos para entrarem tanto queriam.
    É triste saber que pessoas que fazem três anos num só ano e ainda são pagos por isso entram com melhor média que os restantes.

    Deste modo, concordo plenamente quando diz que deviam habilitar os formandos com uma carta profissional. Isso ou serem mais exigentes e não lhes pagarem por estarem a aprender pois sempre me disseram que a educação é sagrada.

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